Lampréia
As lampreias são algumas das criaturas mais bizarras, assustadoras e geometricamente perfeitas do mundo aquático. Pertencentes à classe Hyperoartia, esses animais não são peixes comuns: eles são peixes agnatos, o que significa que eles pertencem a uma linhagem ultra-ancestral de vertebrados que não possuem mandíbula. Elas habitam águas costeiras e rios de regiões temperadas da América do Norte, Europa e Ásia.
Muitas vezes chamadas de “vampiros dos mares”, as lampreias existem na Terra há mais de 360 milhões de anos , ou seja, elas já nadavam pelos oceanos muito antes dos dinossauros existirem e sobreviveram a quatro grandes extinções em massa sem mudar quase nada no seu design. Com uma boca que parece saída de um filme de terror, elas atuam em sua maioria como parasitas de outros peixes e baleias, desempenhando um papel crucial (e temido) no controle populacional da fauna marinha.
Características

A anatomia da lampreia é uma viagem no tempo da evolução, exibindo características de vertebrados primitivos.
A Boca em Formato de Funil (Disco Oral): A característica mais famosa e aterrorizante da lampreia é a sua boca. Como não têm mandíbula para abrir e fechar, elas possuem uma boca circular permanente que funciona como uma ventosa de alta pressão. O interior desse disco é completamente forrado por fileiras concêntricas de dentes afiados feitos de queratina (a mesma matéria-prima das nossas unhas).
Língua Raspadora: No centro da boca circular, a lampreia possui uma língua dotada de dentes serrilhados altamente eficientes. Ela usa essa língua como uma lixa elétrica para rasgar as escamas e a pele de suas vítimas.
Corpo de Enguia sem Nadadeiras Duplas: O corpo da lampreia é longo, cilíndrico, liso e escorregadio, muito parecido com o de uma enguia ou cobra d’água. Elas não possuem escamas e não têm as nadadeiras duplas laterais (peitorais e pélvicas) que os peixes comuns usam para manobrar; elas possuem apenas nadadeiras dorsais e uma cauda simples.
Comportamento
O cotidiano da lampreia adulta envolve uma caçada silenciosa baseada em fixação, enquanto seu ciclo de vida exige migrações épicas.
O Ataque do Vampiro: A maioria das espécies de lampreias (como a lampreia-marinha) é parasita. Quando encontra um peixe grande, um tubarão ou uma baleia, ela nada rapidamente e gruda sua boca-ventosa no flanco da vítima. Uma vez fixada, a pressão é tão forte que o hospedeiro não consegue retirá-la. A lampreia usa sua língua para lixar a pele do peixe e passa dias ou semanas sugando o sangue e os fluidos corporais da vítima em pleno movimento.

Ciclo de Vida Anádromo (A Volta para Casa): Assim como os salmões, as lampreias marinhas passam a vida adulta no oceano, mas quando chega a época de reprodução, elas migram de volta para os rios de água doce. Elas nadam contra a correnteza e usam suas bocas-ventosas para grudar nas pedras do fundo do rio e descansar sem serem arrastadas pela força da água (daí o nome lampreia, que vem do latim e significa “lambe-pedras”).

📢 Você sabia?
Elas Não Têm Estômago!
O sistema digestivo da lampreia é tão primitivo quanto o resto do seu corpo. Como a dieta delas consiste puramente de sangue e fluidos líquidos já digeridos por suas vítimas, elas não possuem um estômago. O alimento vai direto da boca para um intestino reto e simples, onde os nutrientes são absorvidos de forma imediata pelo organismo, sem necessidade de ácidos estomacais pesados para quebrar pedaços de carne.

