Tartaruga
As tartarugas são os grandes símbolos de longevidade, resiliência e sabedoria do reino animal. Pertencentes à ordem Testudines (ou Chelonii), esses répteis pré-históricos habitam a Terra há mais de 200 milhões de anos, o que significa que eles já caminhavam pelo nosso planeta muito antes dos primeiros dinossauros aparecerem.
Embora no dia a dia as pessoas usem a palavra “tartaruga” para falar de qualquer réptil com casco, cientificamente o termo correto para as espécies que vivem exclusivamente na terra é jabuti, para as que vivem em água doce é cágado, e as verdadeiras tartarugas são aquelas que passam a vida inteira nos oceanos ou em grandes rios. Navegadoras dos oceanos e engenheiras ecológicas, elas desempenham um papel vital na saúde dos mares, mantendo o equilíbrio dos recifes de corais e das pradarias de capim-marinho.
Características

A anatomia da tartaruga é uma das estruturas mais exclusivas e bem-sucedidas da evolução, combinando proteção máxima com adaptação perfeita ao mergulho.
O Casco Indestrutível: O casco da tartaruga não é uma “casa” de onde ela possa sair; ele é parte do próprio corpo do animal. Ele é formado por duas partes: a carapaça (a parte de cima) e o plastron (a barriga). O grande segredo biológico é que o casco é feito da fusão das costelas e da coluna vertebral da tartaruga, coberto por placas de queratina rígida. Isso cria uma estrutura blindada que cresce junto com o animal ao longo da vida.
Nadadeiras em Formato de Remo: Diferente dos jabutis (que têm patas cilíndricas como as de um elefante), as tartarugas marinhas possuem patas modificadas em formato de longas e achatadas nadadeiras. As patas dianteiras funcionam como potentes asas ou remos que impulsionam o animal na água, enquanto as traseiras servem como um leme de navegação.
Bico de Queratina (Sem Dentes): As tartarugas não possuem dentes. No lugar deles, elas desenvolveram um bico feito de queratina extremamente afiado e rígido (chamado de tomio), muito parecido com o bico de uma ave. Dependendo da espécie, esse bico pode ser serrilhado para cortar algas ou em formato de gancho para quebrar as defesas de caranguejos e esponjas do mar.
Visão de Cores Excelente: Debaixo d’água, as tartarugas possuem uma visão fantástica. Elas conseguem enxergar cores com muita nitidez e são especialmente atraídas por tons de vermelho, laranja e amarelo, o que as ajuda a localizar alimentos flutuando no oceano.
Comportamento
O cotidiano das tartarugas marinhas é solitário, pautado pela calmaria das correntes marinhas e por instintos de navegação que desafiam a ciência.
Viajantes Solitárias do Oceano: As tartarugas passam mais de 90% de suas vidas nadando sozinhas em mar aberto. Elas não formam bandos ou grupos sociais. Elas se guiam pelas grandes correntes marinhas e conseguem prender a respiração por várias horas enquanto dormem ou descansam debaixo de rochas no fundo do mar.

A Dieta dos Mares: A alimentação varia muito de acordo com a espécie. A tartaruga-verde, por exemplo, é estritamente herbívora quando adulta, alimentando-se de algas. Já a tartaruga-de-pente adora comer esponjas do mar, enquanto a gigantesca tartaruga-de-couro tem uma dieta focada quase 100% em águas-vivas.
O Retorno à Praia Natal (Filopatria): Este é um dos comportamentos mais emocionantes da natureza. Quando chega a época de botar os ovos, as fêmeas adultas viajam milhares de quilômetros de volta para a exata mesma praia onde elas nasceram décadas atrás. Elas saem da água à noite, cavam um buraco na areia com as nadadeiras traseiras, depositam cerca de 100 ovos, cobrem o ninho com cuidado e voltam para o mar, deixando os filhotes se desenvolverem sozinhos.

📢 Você sabia?
A Corrida Pela Vida e a Luz da Lua
Quando os filhotes de tartaruga nascem (geralmente durante a noite), eles quebram a casca do ovo, saem debaixo da terra e começam uma corrida desesperada em direção ao mar. Para encontrar o oceano na escuridão, elas usam o instinto de seguir a luz mais brilhante no horizonte, que naturalmente é o reflexo da Lua e das estrelas na superfície da água do mar. Nas cidades praianas, as luzes dos postes e hotéis (poluição luminosa) confundem os filhotes, fazendo-os caminhar para o lado errado, em direção às ruas. É por isso que projetos como o Projeto TAMAR trabalham apagando luzes e protegendo as praias.

